6.11.06

 

Palavras de Agradecimento

Só agora dei pela generosa referência do confrade do Misantropo Enjaulado aos artigos que aqui tenho escrito sobre o uso excessivo e grandemente descabido, por desnecessário, dos Estrangeirismos na Língua Portuguesa. Agradeço-lhe, naturalmente, a referência elogiosa.

Já por diversas vezes, nestes quase dois anos e meio de lides internéticas, tenho escrito alguma coisa sobre temas relacionados com a nossa Portuguesa Língua. Faço-o sem qualquer pretensão de sabença, mas porque entendo que este é um tema da cidadania, hoje mais premente que nunca e de que, desgraçadamente, os mais habilitados se têm alheado.

Apesar de ter enveredado por outros caminhos, que não os ínvios, longe vá o agoiro, mas os de uma carreira Técnica, ficou-me este gosto das Letras e, em particular, da Língua Portuguesa, de um excelente Mestre que tive a felicidade de ter encontrado no Ensino Secundário, o saudoso Doutor José Pedro Machado, um daqueles verdadeiros sábios, à moda socrática, a do grego, está bem de ver, que não perdia muito tempo com a divisão das orações, mas nos ensinava a compreender e a amar os Lusíadas, verdadeiro tesouro amoroso da nossa identidade colectiva.

Tão prodigiosa se revela esta obra que por ela se pode estudar um conjunto notável de vastos saberes : da Mitologia à História Antiga, das Línguas Clássicas à sua Literatura, à Astronomia, à Matemática, à Arte, à Geografia, à Navegação, até à História de Portugal, na sua parte mais brilhante, até ao fim da 2ª Dinastia, a de Avis, a da «Ínclita geração, altos infantes», como lhe chamou Camões.

De tudo isto se pode aprender naquela obra-símbolo da Portugalidade, talvez devesse dizer da Cultura Lusíada. Já houve mesmo quem a tivesse considerado o nosso maior escudo defensor contra uma possível pretensão anexionista ou absorcionista de Espanha, tal a força espiritual que a Nação Portuguesa dela pode retirar.

Infelizmente, quem tudo isto me ensinou, já cá não está e não pode, por isso, continuar a defender a sua excelsa dama, a Língua Portuguesa, como sempre fez, em vida, ao longo de décadas de estudo e de intervenção. Com a arte que logro convocar, procuro fazer o que, nesse âmbito, sinto ao meu alcance, esperando que os especialistas acordem para esta necessária batalha que tardam em travar.

Pode ser que agora, acicatados pela polémica da TLEBS (Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário), dêem um sinal mais vivo da sua existência, da sua participação cívica, fora dos casulos universitários onde por certo se acumulam e espraiam a sua erudição. Esta é como a força, que só por existir, não basta para produzir trabalho, sendo preciso que se aplique no seu hipotético alvo ou objecto com a direcção e o sentido adequados, para fazer deslocar esse seu ponto de aplicação, se me aceitam a analogia da Física.

Todos podemos e devemos defender a nossa Língua, base da nossa cultura de povo antigo, que não tem motivos para se envergonhar da sua História, pelo menos não mais do que os outros, a meu ver, antes pelo contrário, porque fez mais do que muitos deles, sendo quase sempre menos : em número, em recursos, em riqueza, em meios, em território, etc.

Urge, pois, sacudir estes complexos que certos intelectuais nos andaram a inculcar durante os últimos decénios, a pretexto da modernidade, do fim das Pátrias ou das Nações, se não mesmo da História.

Vê-se como estas vão acabando. Certamente acabarão para alguns, para os que, passivamente, acriticamente, aceitem tais teses, que não para os seus patrocinadores, que ganham quanto podem, alargando cada vez mais o seu domínio sobre os demais bons alunos das tais moderníssimas teses.

Mas este já seria outro tema, não menos interessante, não menos premente de discutir, mas fora do propósito que suscitou o presente texto, que era o de tão-só agradecer ao nosso amigo Paulo Cunha Porto, do Misantropo Enjaulado, as amáveis referências que fez a este modesto, mas persistente, cavouqueiro da ilustração lusíada : da passada, da presente e, em intenção, da futura.

Pauca sed bona / Poucas coisas mas boas : aqui como em tudo o mais.

AV_Lisboa, 05 de Novembro de 2006

Comments:
Agradecimento escusado, Caríssimo António Viriato, porquanto apenas de reconhecimento do Mérito se tratou.
Abraço amigo.
 
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